Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca
domingo, fevereiro 17, 2008
quinta-feira, outubro 25, 2007
O desatino da felicidade...
Alguma vez se sentiram completamente perdidos de felicidade? Pois isto aconteceu-me quando soube que tinha emprego! Depois de 2 meses a correr Lisboa pelas pontas, a entregar curriculos em todo e mais algum sítio... depois de me perder mil e uma vezes pelas ruas desta cidade misteriosa, depois de ouvir mil e um não, depois de ouvir muitas mentiras e fraudes, depois de ouvir um não nesta entrevista de trabalho e de ser entrevistada duas vezes com perguntas mirabulantes onde só faltava perguntar a que horas é que eu costumo ir à casa de banho (não vá isso atrapalhar a rentabilidade do serviço), CONSEGUI! Pois é, cá estou eu a trabalhar na área que eu mais queria, a desenvolver um projecto que defendi nos últimos anos e com uma equipa de enfermeiras que partilham as mesmas orientações do meu espírito crítico! O que se quer mais? Talvez maior rapidez de actuação, mas isso vem com o tempo, porque por agora ainda muita coisa me é estranha, muito estranha...
Bom mas falando na sensação de felicidade... quando soube fiquei estupidamente estranha, toda a gente me ligava e eu andava de um lado pro outro no El Corte Inglês, só sei que lá estava porque não me lembro por onde andei, só sei que andei e sorria que nem alguém em fase de mania!
Foi lindo, apetecia-me abraçar ou ter o abraço de alguém mas estava tudo longe de mim, por isso contei a toda a gente e cada pessoa que falava comigo recebia muitas gargalhadas em troca! Uma gargalhada partilhada substitui um bom abraço quando se está longe!
Pedacinhos de vida
Já há muito tempo que aqui não escrevo...
Durante este tempo fui conquistando degraus de uma escada antes secreta, algures escondida entre os meus sonhos e a realidade. Cada degrau que conquistei nestes últimos meses foi fruto de muitas lutas comigo própria e por fim com aqueles que em mim acreditavam e desacreditavam. Posso-vos dizer que cada pé que pus nesta escadas era mergulhado num mar de alegria e realização (Porra como é bom!). Por aqui vou continuando a lutar pelos meus sonhos, porque, sim, eles podem concretizar-se com o esplendor de uma brilhante conquista. A todos os que me deram a mão e aturaram as minhas loucuras e devaneios nestes últimos tempos muito obrigada e preparem-se não vos vou largar porque ainda há mais!
terça-feira, maio 01, 2007
A crueldade da doença
Hoje enquanto caminhava entre corredores de um Hospital acompanhada pelo poder da habituação aquele espaço olhei para ti....
Tu estavas sentada numa cadeira de rodas, não aguentavas o peso da tua cabeça nem a dor da imobilidade do teu lado direito.
Querias viver melhor, querias morrer, lutavas por um estado de ser melhor que o actual.
O teu filho olhava para todos com um olhar assustado: " a minha mãe tem um tumor e ficou assim de um momento para o outro, não consegue estar sentada, mas só consegui arranjar esta cadeira para ela"
Arranjámos-lhe uma maca, o novelo daquele corpo desenrolou-se no leito duro e frio.
Agora tudo depende da autonomia do teu corpo, porque o teu ser só detém a raiva da incapacidade e o doce olhar do amor reconhecido.
Voar
Eu queria ser astronauta
o meu país nao deixou
Depois quis ir jogar á bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar á escola
Mas o avô não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou
Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar
O meu quarto é o meu mundo
O ecrãn é a janela
(...)
Ó meu anjo da guarda
faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar
Acordar meter os pés no chão
Levantar e dar o que tens para dar
Voltar a rir,voltar a andar
Voltar Voltar
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Voltarei
o meu país nao deixou
Depois quis ir jogar á bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar á escola
Mas o avô não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou
Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar
O meu quarto é o meu mundo
O ecrãn é a janela
(...)
Ó meu anjo da guarda
faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar
Acordar meter os pés no chão
Levantar e dar o que tens para dar
Voltar a rir,voltar a andar
Voltar Voltar
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Voltarei
segunda-feira, março 05, 2007
A simplicidade de sonhar
saltando de nuvem em nuvem,
um pé primeiro e depois o outro
uma gargalhada estiliza-se como um banco
e dou o saltinho para a outra nuvem.
vou a voar...
colhendo as flores,
contemplando os sorrisos,
reconhecendo os carinhos,
embalada nas brisas que trespassam a alma
e me dizem baixinho"sabes uma coisa? eu gosto de ti"!
o meu olhar vislumbra a luminosidade
e rindo das minhas borbulhas
o sussuro da vida empurra-me para a próxima nuvem...
Queres vir comigo?
um pé primeiro e depois o outro
uma gargalhada estiliza-se como um banco
e dou o saltinho para a outra nuvem.
vou a voar...
colhendo as flores,
contemplando os sorrisos,
reconhecendo os carinhos,
embalada nas brisas que trespassam a alma
e me dizem baixinho"sabes uma coisa? eu gosto de ti"!
o meu olhar vislumbra a luminosidade
e rindo das minhas borbulhas
o sussuro da vida empurra-me para a próxima nuvem...
Queres vir comigo?
Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir
à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
quinta-feira, janeiro 25, 2007
expressões...
olho para ti, olho para o ambiente que te rodeia...não quero estar no teu lugar!
olho para uma fotografia tua, como tudo mudou! o teu olhar não brilha de alegria... brilha, sim quando uma lágrima inicia o seu caminho por esse teu rosto pálido e magoado acabando por sucumbir no lençol que te cobre o corpo. o teu sorriso? vi-te sorrir uma vez... quando a tua alma companheira chegou para te ver!
a tua pessoa, onde está? será que cada tubo que te colocaram retirou de ti o teu ser? não! os olhares é que não te conseguem ver!
hoje tiveste agitado, sentias-te mal, o teu rosto demonstrava mais sofrimento que o costume... cheguei-me perto de ti, tentei tocar-me numa zona que não te causasse dor, tentei dar-te um pouco de carinho... timidamente perguntei-te se estavas com muitas dores... olhaste para mim.. a tua expressão não podia exprimir melhor o que estavas a sentir! pensei em tanta coisa! apetecia-me talvez dar-te um abraço... os meus pensamentos foram interrompidos por uma voz " já biste a medicação?"
sim, já administrei!
mas falta fazer tanta coisa...
segunda-feira, janeiro 22, 2007
nada é imutável...
vou andando no meio da floresta invisivél, entre cheiros, texturas, cores, luz, pessoas, impessoas, são imensas as realidades que me atravessam...
sábado, janeiro 06, 2007
Poema
A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, novembro 14, 2006
Para ti mana!

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner
P.S.- Por isto tudo e muito mais...eu gosto de ti mana!
domingo, novembro 12, 2006
Tal como o presente...
O vento...
As folhas...
A folha desagrega-se do seu lugar de pertença
Foge, voa, cai enebriada pelo seu destino, pela gravidade,
Contrapõem-se-lhe a dureza do chão
Ou o aconchego de um lugar de pertença
Lugar onde fora da sua natureza
e se encontra com factos desta...
É escuro,
é quente demais!
a efemeridade do efémero coabitam
outras folhas sobrepõem-se
o peso, a presença magoa,
fere o contacto com o chão.
Não me consigo mexer!
Vento muda,
Vento muda-me,
Vento ajuda-me a mudar, [O vento não muda sozinho são precisas várias conjecturas para o mudar]
Os olhos movem-se,
Movem o resto,
Exalta-se um movimento antagónico
E aí
E assim vive-se...
As folhas...
A folha desagrega-se do seu lugar de pertença
Foge, voa, cai enebriada pelo seu destino, pela gravidade,
Contrapõem-se-lhe a dureza do chão
Ou o aconchego de um lugar de pertença
Lugar onde fora da sua natureza
e se encontra com factos desta...
É escuro,
é quente demais!
a efemeridade do efémero coabitam
outras folhas sobrepõem-se
o peso, a presença magoa,
fere o contacto com o chão.
Não me consigo mexer!
Vento muda,
Vento muda-me,
Vento ajuda-me a mudar, [O vento não muda sozinho são precisas várias conjecturas para o mudar]
Os olhos movem-se,
Movem o resto,
Exalta-se um movimento antagónico
E aí
E assim vive-se...
AMOR-TE
Sim, tu que pensas que o mundo gira sobre os teus ombros e que desejas enfrentar a imortalidade da vida, descansa as tuas pernas nesta cadeira que aqui está junto de mim. Senta-te. Sim eu estou a morrer, e pensas que já não há mais nada a fazer? Há muita coisa... ouve-me pelo menos nesta ultima vez, esta não é a minha última vontade, porque a vontade sempre me acompanhou a minha maneira de querer morrer depende só da maneira como eu vivi a minha vida, não te vou pedir nada, se estiveste comigo nestes últimos tempos e me conheces sabes bem como eu sou, como os meus são e como tudo se deve passar para manter a tal “dignidade”. Por isso homem de roupa branca que tantas vidas vives, como amigo que foste nestes tempos, sabes bem o que fazer e eu descanso... Adeus.
P.S.- para perceberem o sentido deste post vejam www.amor-te.com
domingo, outubro 29, 2006
O que alguém disse
"Refugia-te na Arte" diz-me Alguém
"Eleva-te num vôo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal,
Olhando-te a ti própria com desdém.
Só é grande e perfeito o que nos vem
Do que em nós é Divino e imortal!
Cega de luz e tonta de ideal
Busca em ti a Verdade e em mais ninguém!"
No poente doirado como a chama
Estas palavras morrem... E n'Aquele
Que é triste, como eu, fico a pensar...
O poente tem alma: sente e ama!
E, porque o sol é cor dos olhos d'Ele,
Eu fico olhando o sol, a soluçar...
Florbela Espanca
"Eleva-te num vôo espiritual,
Esquece o teu amor, ri do teu mal,
Olhando-te a ti própria com desdém.
Só é grande e perfeito o que nos vem
Do que em nós é Divino e imortal!
Cega de luz e tonta de ideal
Busca em ti a Verdade e em mais ninguém!"
No poente doirado como a chama
Estas palavras morrem... E n'Aquele
Que é triste, como eu, fico a pensar...
O poente tem alma: sente e ama!
E, porque o sol é cor dos olhos d'Ele,
Eu fico olhando o sol, a soluçar...
Florbela Espanca
terça-feira, outubro 24, 2006
O continuar de uma longa caminhada...
A vida nem sempre acontece... ou acontece, mas não da maneira que nós mais queremos. Se calhar da maneira que mais precisamos? será?!
De Janeiro até agora a vida aconteceu algures num lugar da minha existência. Aconteceu da melhor maneira?! A esta pergunta muitas vezes respondi que não, mas agora... sim aconteceu da maneira que eu precisava para acordar e para empurrar do meu leito o desânimo e a passividade.
Ontem fui a uma exposição fotográfica onde estavam fotografias de pessoas vivas e das mesmas depois de mortas, junto estava uma descrição dos sentimentos dos últimos dias de vida.
Aquelas pessoas que ali estavam naquela sala estão mortas! Aquele espaço tornou-se um misto de vida e de morte, onde alguns aparentavam uma expressão de sofrimento enorme e outras uma calma tão serena, como se estivessem a dormir...foi um misto místico de sensações que me agradou, fez-me sentir viva!
Dia a dia,
o tempo passa,
os sorrisos saém sem pedirem licença.
pergunto-me porquê?
Sinto que agora sim,
Agora, estou a tornar-me eu!
Consigo sonhar,
Consigo falar,
Consigo escrever,
Consigo aproveitar o tempo comigo mesma!
Consigo encontrar-me no vazio de entretantos e de peças incompativeis.
Ah, que andei eu a fazer-me?!
Um dia talvez conseguirei explicar-me,
explicar o porquê da minha entrega ao vazio...
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