terça-feira, maio 01, 2007

A crueldade da doença

Hoje enquanto caminhava entre corredores de um Hospital acompanhada pelo poder da habituação aquele espaço olhei para ti....
Tu estavas sentada numa cadeira de rodas, não aguentavas o peso da tua cabeça nem a dor da imobilidade do teu lado direito.
Querias viver melhor, querias morrer, lutavas por um estado de ser melhor que o actual.
O teu filho olhava para todos com um olhar assustado: " a minha mãe tem um tumor e ficou assim de um momento para o outro, não consegue estar sentada, mas só consegui arranjar esta cadeira para ela"
Arranjámos-lhe uma maca, o novelo daquele corpo desenrolou-se no leito duro e frio.
Agora tudo depende da autonomia do teu corpo, porque o teu ser só detém a raiva da incapacidade e o doce olhar do amor reconhecido.

Voar

Eu queria ser astronauta
o meu país nao deixou
Depois quis ir jogar á bola
A minha mãe não deixou
Tive vontade de voltar á escola
Mas o avô não deixou
Fechei os olhos e tentei dormir
Aquela dor não deixou

Ó meu anjo da guarda
Faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar

O meu quarto é o meu mundo
O ecrãn é a janela
(...)

Ó meu anjo da guarda
faz-me voltar a sonhar
Faz-me ser astronauta e voar

Acordar meter os pés no chão
Levantar e dar o que tens para dar
Voltar a rir,voltar a andar
Voltar Voltar
Voltarei
Voltarei
Voltarei
Voltarei