quinta-feira, janeiro 25, 2007

expressões...

olho para ti, olho para o ambiente que te rodeia...não quero estar no teu lugar!
olho para uma fotografia tua, como tudo mudou! o teu olhar não brilha de alegria... brilha, sim quando uma lágrima inicia o seu caminho por esse teu rosto pálido e magoado acabando por sucumbir no lençol que te cobre o corpo. o teu sorriso? vi-te sorrir uma vez... quando a tua alma companheira chegou para te ver!
a tua pessoa, onde está? será que cada tubo que te colocaram retirou de ti o teu ser? não! os olhares é que não te conseguem ver!
hoje tiveste agitado, sentias-te mal, o teu rosto demonstrava mais sofrimento que o costume... cheguei-me perto de ti, tentei tocar-me numa zona que não te causasse dor, tentei dar-te um pouco de carinho... timidamente perguntei-te se estavas com muitas dores... olhaste para mim.. a tua expressão não podia exprimir melhor o que estavas a sentir! pensei em tanta coisa! apetecia-me talvez dar-te um abraço... os meus pensamentos foram interrompidos por uma voz " já biste a medicação?"
sim, já administrei!
mas falta fazer tanta coisa...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

nada é imutável...

vou andando no meio da floresta invisivél, entre cheiros, texturas, cores, luz, pessoas, impessoas, são imensas as realidades que me atravessam...

sábado, janeiro 06, 2007

Quando o vento deixa de bater é preciso encontrar em mim mesma outra forma de conviver com o destino.

Poema

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita


Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará


Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento


A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto


Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento


E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Sophia de Mello Breyner Andresen